segunda-feira, 3 de junho de 2013

A culinária Chinesa


A imagem que temos da China normalmente nos engana. Em geral, temos a percepção de que os chineses comem todo o tipo de comida, incluindo insetos e cachorros. Não foi bem isso que pude perceber em minha visita àquele país.

O fato é que os restaurantes chineses no Brasil não passam de uma tentativa fracassada de reprodução da culinária chinesa. Acredito que isso se deva ao fato da cozinha brasileira estar ligada a temperos e condimentos mais marcantes, o que afeta as receitas chinesas no Brasil. Pra melhor, em alguns casos.

Escorpião!? Sim, este eu provei. E mesmo tirando fotos, alguns amigos insistiam em dizer que era um truque, que eu não comeria este artrópode de jeito nenhum. Então tive que filmar para mostrar que de fato era verdade. Mas o espetinho de escorpião nada mais é do que escorpiões amarelos vivos (venenosos! que matam uma criança de 3 anos), colocados numa frigideira com óleo estupidamente quente. Sabor? Doritos velho...

As feiras livres são o típico retrato da culinária chinesa. E eles cozinham e fritam de tudo, desde o bicho da seda até os mais sofisticados frutos do mar. Os aromas desta mistura vão do mais bizarro até o mais interessante. Sem falar que os vegetais que acompanham os pratos são também dos mais variados e que muitas vezes duvidamos que pudessem ser feitos daquela forma.

As carnes, no entanto estão basicamente ligadas as aves e ao porco. Eles adoram. Frango, pato e porco misturados aos mais diversos molhos e temperos, muitas vezes agridoces, são os mais consumidos. Mas não se enganem. Eles adoram os miúdos. Definitivamente.

Mas o mais interessante na culinária chinesa se deve a variedade. As mesas de almoço ou jantar, principalmente quando possuem mais pessoas, são redondas tendo o centro girando em falso para que os pratos, dos mais diversificados, passem por você a todo o momento. Assim, é como se fosse um grande rodízio de petiscos.

Pude experimentar empanadas de vegetais (guiozás), os mais variados tipos de porco, frango e frutos do mar. Além disso, alguns moluscos estranhos que, se eu estivesse sozinho, jamais teria pedido ou comido. Como estava com colegas chineses, estes nos apresentam as mais diferentes iguarias. Um colega brasileiro que estava junto não teve a mesma coragem.

O mais estranho foi o um “lábio de peixe”. Este foi realmente esquisito, uma coisa meio cartilaginosa... Os demais foram bem interessantes. Fritos, assados, cozidos, ao molho, etc. Ou seja, as mais diferentes variedades de comidas. Algumas um pouco apimentadas, mas com pimentas que conhecemos muito bem: dedo de moça e malagueta.

Café da manha na china, dificilmente é igual no ocidente. Em alguns hotéis é possível encontrar pães e outras coisas daqui, ou dos EUA. Mas em geral, parece mais um almoço de acampamento: umas sopas estranhas de tofu e os famosos noodles. Noodle é aquele macarrão instantâneo, “miojo” aqui no Brasil. Os chineses comem isso o tempo todo com os mais diversos acompanhamentos. Eu, particularmente, comia isso todos os dias no desejum.

Talvez o mais interessante desta experiência gastronômica chinesa foi o tal Pato de Pequim e o arroz frito. O Pato de Pequim é o prato típico para o turista. Fundamentalmente é um pato assado que vai sendo fatiado e enrolado em pequenas panquecas com um molho shoyu mais adocicado, pepino, pimentão e rabanete. O detalhe é que você escolhe o pedaço do pato e você mesmo enrola (com o hashi) na sua panqueca. O mais divertido (e desafiador) é fazer isso com eficiência...

E o arroz frito nada mais é do que um grande mexido. Com pimenta, é claro.

No mais, deve ser feita menção as bebidas.

Chinês é um povo que bebe! E eu achando que tinha esta habilidade desenvolvida...

Em um jantar de recepção, o convidado de honra é intimado a brindar seguidas vezes com os demais participantes. E com as mais variadas bebidas.

Pude experimentar um vinho australiano, que não me agradou tanto. Mas hoje penso que devia ter ficado nele. Ofereceram-me outro vinho chamado “yellow wine”... Que ressaca!

E o pior é o tal do “campei”! Toda vez que invocavam esta palavra era necessário virar o copo do terrível yellow wine. Era isso ou cerveja quente... Ou pior, um destilado que parecia alfazema... não, não era steinhaeger.

Não sei quem inventou isso! Não sei como estou vivo! E o pior é imaginar as seqüelas que vou ter para o resto da vida...

O Yellow wine é basicamente um vinho branco licoroso. Daqueles bem vagabundos que temos aqui no Brasil. Ou seja, azia engarrafada! Mas, culturalmente falando, acredito que as bases da agronomia devam ter saído de alguma cultura chinesa milenar. Afinal, os chineses bebem igual àqueles veteranos inveterados dos idos tempos de faculdade.

Ficar bêbado na china é bonito. Quanto mais bêbado melhor. Significa que está gostando da companhia e do ambiente. Os garçons são treinados para isso. Eles ajudam aquela chinesada bêbada a ir até o banheiro e no dia seguinte, se você passa mal, vira herói! Kkkkk

Enfim, foi muito interessante ter passado 15 dias na China. Uma experiência vasta na área da comida e bebida, interessante e aziática... (com trocadilio).

Sem falar que chá é o que mais se toma. O tempo todo. E cigarro. Se você não fuma, na China você vai fumar. Nem que seja fumante passivo.

E pra dizer a verdade, apesar de gostar de viajar, voltar pra casa é o melhor. Até por que, cerveja quente não desce...